24 guns anúncios já vinham com instruções precisas quanto a este tipo de locação. “Menos para saunas e bares noturnos”. O problema se agravava quando os locatários eram três jo- vens entre 18 e 24 anos de idade com aspecto de roqueiros. Intenções e aparência nada confiáveis segundo os preceitos do ramo imobiliário. Era um saco. Muitas vezes, a negativa vinha de cara. O imóvel já foi locado, dizia a moça no guichê de infor- mações. Em outras, quando pensávamos que teríamos a casa pra nós – toda a papelada na mão, assinaturas dos fiadores, con- trato social da empresa, documentos do locatário – a ne- gativa vinha sorrateira, lá no finalzinho, no último minuto, faltando a última rubrica. O proprietário não está mais interessado. Numa dessas ocasiões, não pude conter a fúria impulsiva- -hormonal própria da idade, diante da cara de pau da mulher ao dizer que a casa na Ramiro quase Independência que a gen- te namorava havia 15 dias e que finalmente iríamos alugar (eu, nervoso, com o cabelo emplastado de gel como nos dias do banco, bleiser de lã, segurando uma pasta cheia de cópias autenticadas, certidões, segundas vias, firmas reconhecidas e todas essas pequenas coisas que só fazem atordoar o espírito das pessoas sensíveis, suando frio, taquicardia, louco pra sair dali correndo e fumar um, mas pensando é agora, é agora, é agora...) não estava mais à disposição, pois o proprietário ti- nha decidido alugá-la a um parente próximo, primo (!), creio. Minha única reação foi fungar como quem engole seco, mas, em vez de engolir seco, cuspir bem molhado todo o catarro na mesa da tal da mulher, uma agente imobiliária gorda e loira, de idade indefinível pra mim (qualquer um acima dos trinta me parecia infinitamente velho). O frango veio acompanhado de um monte de palavrões, e ela nem teve tempo de reagir
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