25 enquanto eu voava da sala pronto pra jogar tudo pro espaço e pensando em que merda eu tinha me metido, mas lembrando da mãe e dos Bernotos e sub-Bernotos e gerentes e chefes e secretárias e até as meninas da limpeza: Não vai dar certo. Então tinha que dar. E eu segurei a onda e a papelada junto ao peito e saí correndo, pensando tem que dar. Já estávamos desesperados. Mais de três meses procu- rando casa pra alugar e só porta na cara. Enquanto isso, o dinheiro da rescisão sendo gasto aos poucos. O Marcos ti- nha sido o primeiro a largar o emprego e consequentemente a grana dele ia acabando antes. A situação do Ricardo ainda era mais complicada. A firma de óleo de soja estava saca- neando com ele e não queria fazer acordo nenhum. Se ele quisesse dar o fora que pedisse a demissão, o que reduziria sua grana em quase 50%. O desespero era tanto que chegamos a cogitar planos ab- surdos pra colocar nosso projeto em prática. Um deles foi o de abrir o bar nos fundos de outro bar. O Marcos tinha um cunhado que recém abrira um barzinho. Chamava-se Vio- leta (o barzinho, o cunhado eu não me lembro) e ficava lá pelos lados da 24 de Outubro, mesas e cadeiras de madeira e palhinha, paredes coloridas, música ambiente tipo muzak e uns vasinhos de violeta espalhados por todos os cantos, coisinha assim bem meiga. Era uma casa grande de um piso com garagem pra três carros no fundo, onde poderíamos montar o nosso bar. O problema era que, além da excessiva meiguice, a localização era péssima e as condições de traba- lho propostas pelo cunhado do Marcos, insustentáveis, algo como ter que dar 20% do nosso lucro, ainda pagar todas as despesas e ter dias e horário de funcionamento regulados.
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