depois? De outra parte, o que fazer com o monólogo interno das lamentações e com as pessoas que me perguntavam: “E aquele livro sobre o Vitor Ramil?”. ... Foi então que ao acaso caiu-me nas mãos um livro de Michel Onfray. Num prefácio tardio ele contava que durante vários anos dedicara-se a escrever uma intepretação sobre a obra de Nietzsche. Concluído o ensaio numa época em que era inédito o que ele tinha a dizer sobre o filósofo, mas envolvido por uma série de percalços, ele não conseguiu publicar o livro. Quinze anos depois, recuperando o manuscrito que nesse meio tempo havia desaparecido, ele releu o seu texto. O modo como Onfray compreendeu o que deveria ser feito para recuperar suas intuições originais, deu-me a chave para retomar o livro sobre Vitor Ramil: Sejamos precisos: o que se nomeia como obra de juventude? Um texto que contém o melhor e o pior de si. Comecemos pelo pior: um estilo caricatu- ral do meu estilo hoje (...). Muitas palavras, imagens, efeitos literários, muito lirismo (...). Ênfases redundantes, dissonâncias estilísticas, excesso de prepo- sições, e ao mesmo tempo, tolerância com verbos fracos – ser, ter, dizer, escre- ver, fazer –, permeada de verbos imprecisos, de conjuntivas fáceis, cacofonias

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