31 30 Vitor Hugo Alves Ramil nasceu em 1962, no dia e no mês que nomeiam um dos teatros mais antigos do Brasil, o Sete de Abril, em Pelotas. Ele é o filho mais novo em uma família que já reunia cinco irmãos: Kléber, Branca, Kátia e outros dois que se tornariam conhecidos no cenário musical brasileiro: Kleiton e Kledir. É Kledir quem, vinte e dois anos depois do nascimento do irmão, observa no material promocional que acompanhou o segundo disco de Vitor Ramil: “Quando o Vitor nasceu eu e o Kleiton éramos escoteiros. A notícia quem nos deu foi o filho do Reverendo que nos encontrou quando eu vinha de bicicleta pelas ruas de paralelepípedos de Pelotas. O mesmo calçamento de pedra que seria cantado em Satolep” 3 . Desde cedo o caçula da família esteve envolto pelo universo da música, a começar pelo gosto do pai. Engenheiro agrônomo que, dentre outras tarefas, dedicava-se às praças e aos jardins da cidade, Kleber nutria verdadeira paixão pelo tango. Essa relação do pai com o gênero musical oriundo dos países do Prata ficaria gravada em Vitor, levando-o anos depois a registrar no encarte de seu disco Ramilonga a lembrança de seus pais “afastando o tapete para dançar um tango”. E a dizer em uma entrevista em espanhol – língua para ele tão familiar: Mi padre era introspectivo, pero también muy emotivo y cuando empezaba a cantar un tango, no llegaba al segundo compás que ya tenía que parar porque se ponía a llorar; la imagen que me quedó del tango es la de una música que hace llorar, una música fuerte, profunda. Descubrí ese sentimiento muy temprano 4 . Essa música forte e profunda podia ser sentida, por exemplo, “na densidade de E. S. Discépolo, ‘verás que todo es mentira, verás que nada es amor, que al mundo nada le importa, yira, yira’, que meu pai cantava com convicção” 5 . Por certo, a paixão pelo tango propiciou na casa dos Ramil um ambiente no qual a música interligava a todos, interligação também conferida pelo caráter dos pais: 3 “Vitor Ramil: sem pressa, ele fez da música seu projeto de vida”, Zero Hora , 2/9/1984. 4 “En el repertorio de Vitor Ramil se lucen milongas”, Página12 , 28/2/2000. 5 RAMIL, Vitor. “TAMBONG: sem perder tempo, mas sem pressa”, 2000.
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