LUÍS RUBIRA Vitor Ramil – Nascer leva tempo Retirar-se, pois a solidão e o sofrimento não podem ser atenuados por alguém que não se ama: “com anéis / não vais conseguir / me ajudar / nem retirar a minha dor” ( Epílogo ). E se em Epílogo vê-se o sujeito da letra desistir dos relacionamentos de uma forma cética (“quem eu amo não existe” – tre- cho retirado de um poema de Fernando Pessoa), em Mina de Prata (Arthur Nestrovski/Vitor Ramil) transparece o desejo de não esconder os sentimentos, calando-os em si por medo de viver e de sofrer: Coração / melhor ser sincero Que estar escondido / sob a sombra das cruzes (...) Terra sobre os olhos / cheios de pudores E o peito ardente. Mas nem só o tema do relacionamento entre duas pessoas constitui as letras do álbum de 1981. Noite e dia (Pery Souza/Vitor Ramil) aproxima-se, de algum modo, da letra da canção com a qual Vitor participou da Califórnia no ano de 1980. Como essa, traz a ideia de resistência, certeza de propósitos, solidariedade: A vitória é demorada / mas a gente não pode descansar (...) Te agarra nas mãos da rebeldia / e verás teu povo levantar (...) Um sorriso trocado é uma vitória / carrega a bandeira da alegria. Aspectos movidos por um único sentimento que, como em Semeadura , levarão em direção a um novo amanhecer: Carrega contigo o teu amor / como o trigo que nasce em liberdade Verás o teu povo pelas praças / cantando a canção de levantar. A liberdade é um tema que se faz presente outra vez em Tribo : “homens e mulheres / sobre o mesmo chão / livres como a chuva”; letra na qual também há ênfase na importância do trabalho coletivo e manual – algo que de algum modo também estará presente em Aldeia e Engenho . ... Com as letras dessas canções e sua sonoridade musical Vitor Ramil agra- dou muitos ouvintes naquele momento porque ele estava alinhado com o que
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