19 URBE | # 01/04 | CARTOGRAFIAS URBANAS são registrados e divulgados por fotos e vídeos. Assim, os skatistas locais vão memorizando o repertório de mano- bras que já foram realizadas nesses cor- rimãos para não repeti-las e manter o espírito de “evolução” do skate. De certa forma, toda essa informação fragmen- tada sobre movimentos adaptados a espaços compõe um léxico e um histó- rico globais, permitindo que, por exem- plo, um skatista francês e outro japonês (falando o mesmo idioma, é claro) te- nham a seguinte conversa a respeito de um guarda-corpo de concreto em São Francisco – Califórnia, apelidado pela co- munidade do skate de “Hubba Hideout”: – Com aquele backside nosebluntslide , oKoston revolucionouoHubbaHideout. Tão preciso... Nada que fizeram lá depois disso fez sentido. – Foi um marco mesmo. Mas lembra do Steve Olson no vídeo Tentacles of Destruction , de 93? Ele fez coisas impossíveis para a época. Quando vi pela primeira vez fiquei confuso. 180 fakie nosegrind saindo de backside shove-it , com aquele estilo desengonçado dele. Genial. Para quem não está familiarizado com nomes de manobras e não sabe sobre o que os personagens estão fa- lando, enquanto olham para uma es- cada e gesticulam com as mãos, prova- velmente eles pareceriam lunáticos. Um diálogo cheio de subjetividade, termos técnicos e referências históricas muito específicas. Ou, quem sabe, soariam como dois críticos de arte discutindo performance dentro de um museu. Hoje, a ideia de relacionar skate e arte já é razoavelmente difundida entre diferentes culturas jovens e urbanas. Mesmo no mundo da arte contempo- rânea, acadêmica e institucionalizada, existem diversos artistas com reconhe- Marcelo Boneco executando um nosestall transfer em uma das primeiras esculturas skatáveis do coletivo NOH Pexão (2004)
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