20 URBE | # 01/04 | CARTOGRAFIAS URBANAS lucas pexão cimento internacional que também são skatistas e trazem referências da cultura do skate para suas obras. Essa percepção está relacionada principal- mente à cultura visual do skate, com seus incontáveis skatistas que também desenham, pintam, criam imagens di- gitais, enfim: expressam-se visualmen- te. Uma das raízes mais evidentes para essa relação está na prancha de skate (ou shape , como é chamada no Bra- sil), que suporta o skatista, do lado de cima, e é suporte para um gráfico, do lado de baixo. Além do evidente apelo comercial desses gráficos, muito utili- zado por empresas do ramo, à medida que skatistas passaram a ter modelos de pranchas assinados, também surgiu a necessidade de relacionar esse visual as suas personalidades. Naturalmente, muitos skatistas passaram a criar seus próprios gráficos ou arrumaram tra- balho para seus amigos que desenha- vam melhor do que andavam de skate. As gerações de artistas visuais que emergiram desse contexto já são pes- quisadas, possuem diversos livros pu- blicados e podem até ser vistas como um movimento dentro do panorama da arte de hoje. Acredito que o mais recente é a percepção dos movimentos realizados com o skate como uma forma de arte em si. A manobra de skate como uma expressão performática e/ou uma in- tervenção urbana. No contexto da arte, tratado como expressão, o skatista en- tra em uma zona definitivamente mais livre do que o campo dos esportes e, ao que me parece, muito mais confor- tável para a sua existência. Não se trata de uma busca de alinhamento articu- lada pela maioria dos skatistas, bus- cando ser tratada como artistas. Gene- ralizando, eles querem simplesmente andar de skate sem serem incomo- dados, onde bem entenderem (o que inclui espaços históricos, construções icônicas da arquitetura contemporâ- nea e zonas industriais, por exemplo). Dito isso, alguns skatistas, aos quais me incluo, passaram a testar a inserção do ato de andar de skate em espaços voltados para a arte, como galerias e museus. Começaram a tratar eventos e vídeos de skate como projetos de arte. Executar e incentivar manobras em que a prática do skate é interdita- da, justificada e autorizada como in- tervenção artística/performática. Uma gravitação natural em direção ao cir- cuito da arte, em que a transgressão e a subjetividade são bem-vindas, total- mente influenciadas por skatistas-ar- tistas visionários como Mark Gonzales e Niel Blender, ou mais recentemen- te Pontus Alv e Jason Dill, ou ainda artistas-skatistas, a exemplo de Stefan Marx e dos coletivos Simparch e The Side Effects of Urethane. O skate não cabe exatamente em categorias consagradas da arte con- temporânea, como a performance e a intervenção urbana. Ele compartilha o uso do corpo para a expressão, como a performance , mas não necessita da presença do público, ao vivo, como ela. O skatista utiliza e transforma espaços públicos e privados, muitas vezes, sem autorização para tanto e podendo ser acusado de vândalo, como na arte da intervenção urbana, porém as marcas que deixa são mais resíduos do que objetivos expressivos em si. Também são possíveis paralelos entre os vídeos de skate, em especial os mais expe- rimentais, com a vídeo arte, ou ainda com a dança contemporânea. Apesar de as manobras dos skatistas nas cida- des não serem coreografadas, existe uma pós-coreografia quando elas são reordenadas nas edições de vídeos de skate, pensadas em função da trilha so- Hoje, a idéia de relacionar skate e arte já é razoavelmente difundida entre diferentes culturas jovens e urbanas
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