21 URBE | # 01/04 | CARTOGRAFIAS URBANAS nora e vice-versa. Ou seja, se a perfor- mance do skate de fato encontrar um lugar confortável no universo da arte, pode se beneficiar bastante de toda reflexão preexistente sobre diferentes formas de expressão, mas tende a criar a sua própria categoria. Pelo mundo, nos dois últimos anos avançaram consideravelmente os debates sobre o lugar do skate na arte, incluindo toda uma programação de ví- deos de skate e palestras no MoMA, em Nova York, e na Tate Modern, em Lon- dres, envolvendo vários skatistas, cineas- tas e pesquisadores. Em 2011, foi a vez do MoCA de Los Angeles apresentar a cultura e a performance do skate em seu espaço expositivo, dentro da mostra de arte urbana Art in the Streets . Não por acaso, a exposição bateu o recorde de visitação da história do museu. Minha experiência com o cole- tivo NOH, ao lado de Fabio Zimbres, Mateus Grimm e Ana Vettoretti, inclui a concepção de diversos “experimentos de escultura e arquitetura skatáveis”, como costumamos chamá-los, para eventos, praças, museus e galerias de arte. Criamos estruturas que cumprem diferentes funções, expressivas e uti- litárias, nas quais a prática do skate é bem-vinda. O primeiro projeto de nosso grupo, uma série de grandes esculturas em madeira, aconteceu em 2007 (quando contávamos ainda com a participação de Tiago Bagnati), como parte da mostra coletiva Essa POA é Boa , em Porto Alegre, simultaneamen- te à Bienal do Mercosul. Nessa ocasião, vivenciamos pela primeira vez o ska- te sendo praticado em um contexto voltado para a arte, em meio a outras obras, instalações, público, críticos in- ternacionais, artistas, curadores e até garçons servindo drinks na abertura do evento. Entre manobras acertadas, tombos e skates voando, ninguém se feriu e os skatistas ficaram surpreenden- temente à vontade. A experiência de apresentar o skate em espaços exposi- tivos tomou proporções ainda maiores com a mostra de arte urbana e contem- porânea TRANSFER, que aconteceu em 2008, no Santander Cultural em Porto Alegre, e, em 2010, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, em São Paulo. Em ambas as ocasiões, NOHs colaboramos com o renomado arquiteto Pedro Men- des da Rocha, que não entendia nada de skate e, justamente por isso, foi es- sencial para criarmos espaços interes- santes para o skatista experimentar seu poder de adaptação. Por exemplo, a to- pografia que projetamos para o grande hall do Santander Cultural (local tomba- do como patrimônio público, diga-se de passagem) funcionava como espaço de convivência para o público do mu- seu, como palco para shows de música e ganhava seu uso mais inusitado com a performance dos skatistas. A pesquisa com o NOH também ajudou a embasar e liberar sessões de skate na Avenida Paulista, em São Paulo, como parte da exposição Destroy and Create (2010), assim como dentro na 7ª Bienal do Mer- cosul (2009), em Porto Alegre, com ma- nobras executadas sobre a instalação do artista peruano José Carlos Marinat. Ironicamente, skatistas sempre gostaram de andar pela arquitetura de grandes instituições. Entretanto, antes, costumava ser do lado de fora, ilegal- mente, enquanto fugiam dos seguran- ças de museus. Se aos poucos esse novo posicionamento do skatista (como ska- tista-artista) perante a sociedade acabar com sua aura de rebelde, pode ter cer- teza que ele não vai se importar. É claro, contanto que ele tenha acesso livre para se expressar com suas manobras nas esculturas e nos espaços arquitetônicos mais interessantes do mundo. Lucas Pexão é Lucas Ribeiro (www.noz.art.br) . Skatista, fanzineiro, jornalista, curador e galerista, vive entre Porto Alegre, onde mantém a galeria de arte Fita Tape, e São Paulo, onde é sócio-diretor da galeria LOGO. Na extinta galeria Adesivo (Porto Alegre, 2003/2008), da qual foi um dos fundadores, realizou 25 exposições com artistas ligados a culturas urbanas. Foi curador geral da mostra internacional de arte urbana e contemporânea TRANSFER, que aconteceu no Santander Cultural (Porto Alegre, 2008) e no Pavilhão das Culturas Brasileiras (São Paulo, 2010). Com Ana Ferraz, criou o estúdio NOZ.ART, que produz conteúdo para as revistas +Soma e Void, entre outras, além de criar projetos de arte em parceria com marcas como Passport, Adidas, Element e MCD. É integrante do coletivo de skate, arquitetura e arte NOH.

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