42 URBE | # 01/04 | CARTOGRAFIAS URBANAS contexto da cidade. Essa situação pode ser minimizada por uma intervenção ar- tística nos referidos paredões, uma vez que qualificaria o espaço existente e valorizaria a edificação que, por si só, já impressiona pela sua excelência arqui- tetônica e beleza estética. No entanto, a arte também pode, e deve, ser utilizada para a va- lorização de espaços públicos. O equi- pamento urbano tradicional, como tampas de bueiro, cabines telefôni- cas, postes de iluminação pública e lixeiras, entre outros, são muitas vezes produzidos de forma aleatória, sem um projeto que os insira harmoniosa- mente ao meio ambiente urbano ao qual farão parte durante muitos anos. Esses elementos não precisam neces- sariamente servir apenas para a fina- lidade para a qual foram concebidos: como iluminar, fechar entradas de bueiro, etc. Podem, sim, ser carregados de informações com o objetivo de não só suprir a sua função vital, mas tam- bém enriquecer de simbologias e sen- sações o cotidiano da população que usufrui de sua existência. Isso não sig- nifica tratá-los de forma tal que sejam vistos a dois quarteirões de distância, mas, sim, com um projeto integrador que valorize a si e ao seu entorno. Um bom exemplo é o trabalho de design nas tampas de bueiro rea- lizado em diversas cidades do Japão. Os primeiros bueiros decorados surgi- ram na década de 1950, como forma de democratização do espaço público. A tendência foi popularizada 30 anos depois, quando artistas, de acordo com as especificações de órgãos públicos, passaram a expressar a sua imaginação, transformando simples tampas metá- licas em obras de arte por calçadas de todo o país. Tal experiência seria bas- tante válida nos nossos centros urbanos para, assim como nas cidades japone- sas, transmitir, por meio desses objetos que nos são muitas vezes impercep- tíveis, informações sobre a história ou características culturais específicas de uma determinada região. Uma questão de atitude O importante, nessas situações, é a consciência que os artistas proponen- tes de intervenções devem ter do forte significado de determinados locais para a população. Em muitos casos, entre eles o da possível intervenção nos pare- dões dos edifícios laterais da antiga Bi- blioteca Pública do Estado, é necessária uma grande dose de discrição e respei- to pela preexistência, a fim de realizar uma intervenção que não se sobrepo- nha à edificação histórica. Em centros urbanos tão heterogêneos como os do Brasil, é imprescindível ter a sensibili- dade para perceber quando devemos ser modestos ou quando podemos agir commaior intensidade, visando sempre à valorização de elementos específicos eduardo hahn

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