6 URBE | # 01/04 | CARTOGRAFIAS URBANAS É difícil dizer o que começou antes, tudo está acontecendo meio que junto, mas para facilitar vamos entender assim: as cidades passaram a ser suporte para ação de arte; as pessoas começaram a ver e entender que isso é possível; as instituições, por sua vez, estão tentando decifrar e decidir o que fazer com proje- tos que desenvolvem essa artitude . A utilização do espaço público como local criativo não é algo novo, mas talvez na intensidade que hoje se mani- festa, seja simbastante original. Algumas coisas mudaram na arte feita nas ruas durante as décadas de 1970 e 1980 para os dias de hoje. Não podemos genera- lizar, ainda existem linguagens urbanas muito influenciadas pelos movimentos revolucionários e vanguardistas que fun- cionammuito bem, outras nem tanto. A arte e a cultura urbana estão em constante atualização e, olhando para o momento atual, podemos dizer que temos novas necessidades em pauta. O interessante não é mais tanto contra- por uma realidade absoluta, mas, sim, criar novas lógicas com possibilidades de interação e cocriação. É um novo tipo de “intervenção”, artitudes que atravessam questões políticas e econô- micas, criam microrrelações e articulam cadeias produtivas, entendem a com- plexidade da cultura como processos de inovação social. São novas pessoas, novas cidades e novas instituições. Pessoas A mistura das características de indi- vidualismo com a possibilidade de conectividade gera um fenômeno interessante sobre o homem contem- porâneo: suas atividades não tem um contorno delimitado e sua intimidade pode ser facilmente visitada. As fron- teiras entre o público e o privado, o natural e o artificial, são confusas e incertas. Essa dupla mensagem “sozi- nhos, porém juntos” parece dar força para uma sensação de abertura de possibilidades e maior responsabilida- de dentro da sociedade. Os poderes do cidadão 2.0, ou qualquer número que você goste, oferecem condições de organização entre microgrupos conectados por afinidades comuns. Cada vez mais, a ideia da dependência de um governo é menor, pelo contrá- rio, o próprio Estado está investindo na autorresponsabilidade do cidadão. Frente a isso, cabe aos sujeitos enten- derem que a sua política pode e deve ser praticada nas pequenas relações do cotidiano. Além disso, são nessas opor- tunidades que a invenção é potencia- lizada. Essa é uma brecha importante para a arte, pois é com a possibilidade de criar linhas de fuga que se sustenta sua atividade transformadora. As pessoas começam a se sentir como artistas do seu cotidiano. Cidades Entendida como a máquina de opera- ções do homem, a cidade é a estrutura na qual acontecem os mais diferentes encontros de trabalho, amor, lazer... Cultura como inovação e as artitudes de mudança Daniel Muller Caminha O que interessa não é mais tanto contrapor uma realidade absoluta mas sim criar novas lógicas com possibilidades de interação e cocriação
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