bernardo de souza 32 URBE | # 03/04 | FOBIAS URBANAS Já na Segunda Guerra Mundial, o regime nazista de Adolf Hitler identifica- ra o cinema como um poderoso “Apa- relho Ideológico de Estado” (Althusser, 1999:101) – o qual foi utilizado com no- tável sucesso por seu ministro da propa- ganda Joseph Goebbels e pela diretora Leni Rieffensthal. A partir da década de 1950, entretanto, especialmente através da televisão, os meios de comunicação de massa só fizeram expandir as possibili- dades de dominação cultural das nações hegemônicas, notabilizando-se como ve- ículos ideais para o exercício do “ soft po- wer”. Segundo o cientista político Joseph Nye (2004:15), este poder não se exerce por meio da força, mas, a exemplo de Hollywood e da internet, constitui uma arma tão robusta para os Estados Uni- dos emmatéria geopolítica quanto o seu mais que temido poderio militar. Ao se debruçar sobre os sofistica- dos mecanismos de dominação cultural que caracterizam as relações políticas, o sociólogo francês Pierre Bourdieu vai além e conclui que: “É enquanto instrumentos estruturados e estruturantes de comunicação e de conhecimento que os ‘sistemas simbó- licos’ cumprem a sua função política de instrumentos de imposição ou de legiti- mação da dominação, que contribuem para assegurar a dominação de uma classe sobre outra (violência simbólica) dando o reforço da sua própria força às relações de força que as fundamentam e contribuindo assim, segundo a expres- são de Weber, para a ‘domesticação dos dominados’ [...] [...] o poder simbólico é, com efeito, esse poder invisível o qual só pode ser exer- cido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem.” (Bourdieu, 2011, p. 8, 11, 14) Portanto, vale frisar que este “poder quase mágico que permite ob- ter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário.” (Bourdieu, 2011, p. 8, 11, 14) Com efeito, a chegada do ho- mem à Lua em 20 de julho de 1969, transmitida pela televisão, acirraria os ânimos de russos e norte-americanos na corrida espacial. A célebre frase do astronauta Neil Armstrong “um pe- queno passo para o homem, um sal- to gigante para a humanidade” daria a tônica à escalada tecnológica que bem caracterizou a Guerra Fria e sua mais sórdida corrida: a armamentista. Ao arsenal de armas simbólicas en- gendradas pela mídia, somaram-se as
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=