37 URBE | # 03/04 | FOBIAS URBANAS Bernardo José de Souza é formado em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCRS e especialista em fotografia e moda pelo London College of Fashion. Foi colaborador das revistas Vogue, i-D e do jornal Folha de São Paulo. Atualmente, é coordenador de cinema, vídeo e fotografia da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre e professor da ESPM-RS, tendo ministrado cursos no SENAC Moda em São Paulo, na PUCRS, na Escola de Design da UNISINOS e na FEEVALE. É membro dos conselhos curadores do MAC/RS, da Fundação Vera Chaves Barcellos e da FUNDACINE RS. REFERÊNCIAS BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico . Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011. HOBBES, Thomas. O Leviatã . Rio de Janeiro: Abril, 1974. ALTHUSSER, Louis. Sobre a Reprodução . Petrópolis: Editora Vozes, 1999. DELEUZE, Gilles. Conversações . Rio de Janeiro: Editora 34, 1992. FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir . Petrópolis: Editora Vozes, 1997. conteúdo belicista tão característico desses produtos audiovisuais de entre- tenimento, suscitando o debate acerca dos rituais de violência aos quais somos submetidos desde a infância. Ao reite- rar, a cada novo movimento em falso do soldado, a existência de uma fonte permanente de risco, ainda que seja invisível, a obra evidencia o caráter oni- presente do medo. Já na obra Marks (1984 ) , de Skip Arnold, o próprio artista é registrado em ação, arremetendo seu corpo contra as paredes de um quarto branco, vestindo apenas jeans, luvas de boxe e um capa- cete com a bandeira dos EUA. A perfor- mance desempenhada por Arnold, em luta imaginária com um inimigo- fan- tasma, remete ao espírito belicoso dos norte-americanos, em constante posi- ção de enfrentamento. Entretanto, na ausência de uma ameaça real, o corpo do artista consti- tui seu próprio inimigo, como que em movimento de violência involuntária contra si mesmo. Ao submeter-se a tal experiência, fisicamente excruciante, que somente termina quando seu cor- po colapsa, o artista leva a ação perfor- mática ao limite, evidenciando o caráter evanescente do registro audiovisual. Guerra e Paz Na era da informação, imagens atraves- sam o planeta em questão de segun- dos, precipitando crises econômicas, insuflando guerras civis ou denun- ciando desastres ambientais. A elas coube a tarefa de dar corpo e face ao Frankenstein midiático contemporâ- neo, espelho de ummundo tão globali- zado quanto desigual. Ao avanço científico sem pre- cedentes, somou-se a ausência ab- soluta de referenciais ideológicos, resultando em uma civilização tão dependente dos meios de comunica- ção de massa quanto incapaz de in- terpretar suas informações. Realidade e ficção sobrepõe-se, transformadas numa coisa só, amalgamadas numa mesma imagem. Sob constante ameaça, vivemos em permanente estado de alerta, a es- pera de novas notícias, aguardando o perigo iminente. Neste contexto ime- diatista, afetado pelo crescente volume de informações, a produção artística, na contramão do açodamento intelectual, revela-se um importante instrumento de reflexão sobre o status da imagem e seu poder de representação na con- temporaneidade.

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