38 URBE | # 03/04 | FOBIAS URBANAS LUÍSA KIEFER Ditadura das telas Nunca o homem dispôs de tantas telas não apenas para ver o mundo, mas para viver sua própria vida. [...] Telas que já estão aí, telas que se interconectam, te- las que acabam de chegar, telas por vir. (Gilles Lipovetsky) O filósofo francês afirma e um rápido olhar ao nosso redor confirma: vivemos rodeados por dispositivos eletrônicos. Segundo pesquisa recen- te, publicada pelo Ibope NetRating no início deste ano, o Brasil aparece como o quinto colocado na lista de países mais conectados. No final de 2011, ha- via mais de 79 milhões de usuários de internet, isso sem contabilizar aqueles que acessam a rede apenas via conexão tros dispositivos. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento de usuários foi de 114,6%. Conforme o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (Cetic) 1 , a partir de pesquisa realizada por amos- tras de domicílios: 98% das casas brasi- leiras possuem aparelho televisor; 87%, telefone celular; 36%, computador de mesa; e 18%, computador portátil. Em termos práticos, isso não ape- nas significa mais pessoas navegando na web, mas mais dispositivos móveis sendo vendidos (entre eles laptops, smartphones, tablets) e, portanto, mais telas eletrônicas a nossa volta, circulan- do, rodeando as nossas rotinas e cons- truindo a paisagem urbana do lugar em que vivemos. Retrato de um dia normal Viver, hoje em dia, sem prescindir de al- guma tela eletrônica para alguma coisa – qualquer coisa que seja – é raro. Des- de a hora em que acordamos, quando o despertador toca e a primeira coisa que vemos ao abrir os olhos é uma tela que nos oferece a opção “desligar” ou “soneca”, até a hora de dormir, quando novamente nos deparamos com a mes- ma tela para programarmos o desper- tador para a manhã seguinte, nosso dia a dia é permeado por telas eletrônicas e por imagens. Seja o telefone celular, laptop, monitor, televisão ou tablet, os aparelhos, ao mesmo tempo em que 3G. Uma outra pesquisa, publicada em 2010 pela Qualcomm – empresa pro- vedora de tecnologias wireless e outros serviços –, afirmava que a perspectiva era de que o Brasil atingisse a faixa de 107 milhões de usuários 3G até o ano de 2014. A previsão era de que o país tives- se uma taxa de crescimento de 567% da tecnologia no seu território. Hoje, a dois anos de completar a estimativa, segundo a Associação Brasileira de Tele- comunicações (TeleBrasil), o país possui 56,4 milhões de usuários de internet via 3G, sendo que 11,2 milhões acessam a rede usando um modem conecta- do a um computador, e os outros 45,2 milhões de usuários acessam as redes através de tablets, smartphones e ou- Stuart Pound
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