39 URBE | # 03/04 | FOBIAS URBANAS facilitam a nossa vida, roubam grande parte do nosso tempo e da nossa aten- ção. Com a cultura das redes virtuais e da comunicação a qualquer hora, de qualquer lugar, vivemos conectados a um mundo a parte. A invasão das telas, nossas e alheias, começa tão logo saímos da cama. Ligamos a televisão ou o com- putador para ver a temperatura, dar uma olhadinha nos e-mails, ver rapi- damente as notícias do dia. O bombar- deio de informações começa. Entra- mos no ônibus e lá está uma televisão ligada, trazendo informações rápidas, manchetes do dia, vídeos cômicos, horóscopo, dicas de saúde e beleza. A invenção da BusTV pode até ter sido, e eu duvido, comemorada por aqueles que passavam longas horas no trajeto entre casa e trabalho, mas precisamos realmente estar sempre atentos a uma tela eletrônica? As notícias se repetem. A mesma manchete que lemos no computador, antes de sair de casa, está sendo reproduzida no ônibus, e co- mentada no twitter – que carregamos no bolso para onde formos. Quando chegamos no nosso destino, ou algum destino, pegamos um elevador. Seria um momento de sossego, nem que por menos de um minuto, não fosse o monitor instala- do no canto da porta, como que para distrair quem sobe até um andar muito alto – 10 o andar? 15 o andar? De novo, praticamente as mesmas notícias e mesmas propagandas que já vimos, já lemos, já desviamos o olhar. Elas insis- tem, persistem. O que para muitos é incômodo, para outros virou nicho de mercado. Hoje em dia, há empresas especiali- zadas neste tipo de programação. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a maioria dos aparelhos televisores localizados em elevadores, bares e restaurantes, tem a sua programação feita pela H Mídia, uma empresa es- pecializada em “oferecer soluções de comunicação para a sua empresa” – leia-se vender espaço publicitário em pontos estratégicos: elevadores, salas de espera, sala de trabalho, etc. Não bastasse esse trajeto, passa- mos – ou pelo menos parte da popu- lação passa – o dia sentados à frente de um computador. São seis, oito, dez horas de trabalho – às vezes com in- tervalo para almoço, outras nem isso. Na volta para casa, tudo de novo. O elevador, o ônibus, as pessoas ao redor e casa. Ver televisão para relaxar, ao mesmo tempo em que corremos para nos reconectar às redes sociais, aque- las mesmas que passamos o dia inteiro também conectados enquanto estáva- mos trabalhando e que talvez nem te- nham informações tão preciosas assim, mas não importa. É preciso comparti- lhar o que eu vi no caminho para casa e ler o que os outros viram. Ozi e Alex Kaleb
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