42 URBE | # 03/04 | FOBIAS URBANAS LUÍSA KIEFER Foi pelo artigo de Pedro Burgos Porque o Google Glass não é o futuro que precisamos , publicado na versão brasileira do site Jezebel, que tive conta- to como assunto dos óculos inovadores do gigante das tecnologias da informa- ção. Como Burgos bem resume, o proje- to é “umóculos do futuroporque nada é tão 2030 quanto um computador-com- -tela-acoplada-aos-óculos” . A invenção ultrapassa todo e qualquer limite de pri- vacidade, desossego, depossibilidadede estarmos e permanecermos desligados do mundo virtual das redes e das telas. Antes, o contrário, ela cria uma tela qua- se onipresente, basta colocar os óculos. O Google Glass promete trazer ao públi- co, com uma avidez por tecnologia que parece não ter fim, mais uma necessida- de imprescindível para a vida humana. A capacidade de fotografar sem ter a interferência de uma máquina fotográ- fica, sem ter a interferência física do cor- po da máquina, acessar a internet sem que o outro – aquele que está na sua frente – perceba ou mesmo saiba. Pro- mete juntar em um mesmo lugar, mun- do real e mundo virtual, deixando-nos existir em ambos, ao mesmo tempo. Burgos parece ser, como o próprio coloca em seu texto, um dos poucos a abrir os olhos e dizer: “Não, nós não pre- cisamos perder a nossa privacidade ain- da mais!” – se é que isso é possível. Ao tocar nas questões acerca da privacidade, o autor faz referência ao artigo Little Bro- Cotidiano 1, de Erica A. Marques

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