11 URBE | # 04/04 | EFEMERIDADES URBANAS diversas visitas e olhares simpáticos ao projeto. Já em prédios da Nilo Peçanha, por exemplo, nem mesmo apresentar a proposta ao síndico foi possível. A or- dem para os porteiros é barrar qualquer estranho ou intrometido que queira se aproximar. Eu era as duas coisas. A bar- reira, pelo menos para os bem-intencio- nados, é quase intransponível. No entanto, é interessante notar também que esta situação de janelas próximas demais não acontece só em determinada faixa de apartamento ou nível de desenvolvimento social de bairros e regiões. Dos mais luxuosos aos mais simples, a vista de todos está cada vez mais comprometida. Aquela frase sobre o prédio não muito bonito tinha deixado a mãe alarmada. – Mas antes nós queremos ver o proje- to – disse – e ter o direito de aprová-lo. O senhor sabe, vamos ter esse prédio sempre diante dos olhos... (…) Quinto fizera uma expressão ao mesmo tem- po de fatalismo e de altivez, como de um homem que sabe muito bem que se poderia pedir tudo à futura constru- ção, menos que fosse bonita; aliás, era preciso torcer para que fosse anônima, inexpressiva, que se confundisse com os edifícios mais anônimos do entorno, marcando sua total estranheza em rela- ção à casa deles. – Fique à vontade minha filha, não repare na casa. A casa é velha, sabe? Quer dizer, eu sou bem mais velha que a casa. Com estas palavras, a senhora do

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